O teste de aptidão física (TAF) é exigido nos concursos para as Forças Armadas, para as polícias e até em concursos para os Correios e, por exemplo, para a Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb).
Luís Ernesto Lacombe - Rio de Janeiro
Muitos brasileiros deixam temporariamente o mercado de trabalho para estudar. É gente que se planeja, dedica horas sem fim pra realizar um sonho: conseguir um emprego público. Mas, além das provas teóricas, têm de vencer mais um desafio: o exame físico. Por isso, o repórter Luís Ernesto Lacombe preparou uma reportagem especial. Ele conheceu um professor que se especializou na preparação física de candidatos para concursos públicos e resolveu fazer o teste da Polícia Federal.
O dia amanhece, e o pessoal já está na atividade. Mas, em um grupo, há pouco tempo, ninguém era muito de se mexer.
“Eu tinha um excesso de peso, sobrepeso”, diz o funcionário público Marcos Tadeu. “Eu tinha uma vida bem sedentária, até por conta do tempo, ter que trabalhar e ter que estudar. Não sobrava tempo para praticar atividade física”, revela a funcionária pública Rosilene Lordelo. “O único contato que eu tinha com atividade física foi no meu segundo grau. Com isso, eu fiquei com um sobrepeso de 15 quilos”, conta a técnica em contabilidade Lidiane Freitas.
Marcos, Lidiane e Rosilene eram sedentários, não praticavam esporte, não se exercitavam, mas resolveram fazer um concurso público que exige um teste de aptidão física. É aí que entra nessa história o professor Elon Júnior.
Há sete anos, ele se especializou na preparação física para concursos públicos. Tem até livro publicado sobre o assunto. “Se treinar com antecedência, passa. Mas o teste é muito difícil”, afirma o professor de educação física Elon Júnior.
O teste de aptidão física (TAF) é exigido nos concursos para as Forças Armadas, para as polícias e até em concursos para os Correios e, por exemplo, para a Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb).
“A gente abriu esse leque para dar oportunidade de as pessoas não ficarem reprovadas no TAF após ter passado na parte mais difícil, que é a parte teórica”, explica o professor de educação física Elon Júnior.
A Rose já conseguiu. Foi aprovada no concurso e, hoje, trabalha na Secretaria de Segurança Pública do Rio, mas ela não abandonou os treinos com o professor Elon: “Tive que suar muito para passar e, depois, eu não quis regredir. Estava me sentindo bem e resolvi inserir isso na minha vida”.
Lidiane vai tentar uma vaga na Marinha e também não quer mais parar de se exercitar: “Eu me apaixonei pela corrida, pela atividade física, e pretendo, com certeza, ter como prioridade na minha vida a qualidade de vida”.
Marcos vai fazer o concurso para a Polícia Federal: “com um professor, com meus amigos treinando junto com o mesmo objetivo, você se sente mais impulsionado a correr, a passar no teste”.
Luís Ernesto Lacombe coloca camiseta e bermuda para mostrar como funciona um teste de aptidão física de um concurso público. Para Ele faz o teste de aptidão física para o concurso da Polícia Federal.
Primeiro, ele faz a barra. Se o candidato faz menos de três, é eliminado. Se faz 15, consegue a pontuação máxima: seis pontos. No salto, ele tem duas chances para atingir 2,14 metros. E ele consegue de primeira: 2,15 metros.
Mas aí chegou a hora da corrida, e ele revela que não é muito bom nisso. “Eu não costumo correr. Minha preparação aeróbia é sempre na bicicleta ergométrica. Então, eu acho que eu vou ter dificuldade, porque tem que correr. Eu estava calculando, são 2,4 mil metros em 12 minutos, o que dá mais ou menos 12 quilômetros por hora”, aponta.
O repórter até começou em um ritmo bom, mas, em duas voltas, dores musculares o fizeram desistir. “É importante ter acontecido essa situação, porque mostra que realmente a gente precisa treinar com antecedência, porque, se der um problema desses, tem como a gente recuperar e fazer um treinamento tranquilo”, declara o professor Elon.
Luís Ernesto Lacombe não treinou e não conseguiu, mas para quem vai encarar um concurso de verdade, vai o recado dele: “preparem-se e não desistam. Eu desisti, porque não era para valer, mas vocês não podem desistir. Boa sorte para todo mundo”.
Edição do dia 10/04/2012
10/04/2012 07h55 - Atualizado em 10/04/2012 07h55
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